TRIZ: como multiplicar sua criatividade técnica e capacidade de inovar – GARANTIDO! (Parte 1 de 3)

Abordagem Verdadeiramente “Disruptiva”

Esta série de artigos tem como objetivo lhe mostrar uma abordagem verdadeiramente “disruptiva” (aproveitando o termo que está na moda) e extremamente eficaz para a questão da inovação e criatividade. Embora o método que vou apresentar aqui encontre aplicação em virtualmente qualquer tipo de atividade humana, vou me restringir ao campo da ciência e tecnologia, ou seja, à questão da criatividade técnica aplicada à inovação de produtos e processos industriais.

…vou me restringir ao campo da ciência e tecnologia, ou seja, à questão da criatividade técnica aplicada à inovação de produtos e processos industriais.

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97% das patentes de invenção nunca chegam ao mercado[1]

E por falar de inovação e criatividade, você sabia que…

…nada menos que 97% das patentes de invenção nunca chegam ao mercado?! [1]. E o que é que pode explicar que pessoas capacitadas e inteligentes desperdicem seu precioso tempo e recursos em um trabalho que, quase com certeza, dará com os burros n’água? Ofereço então…

Duas causas que, combinadas, podem explicar um resultado tão desastroso

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Causa 1: Iniciar o processo criativo baseado em uma premissa falsa.

É crer no falso conceito tão comumente propagado e aceito por muitos, que eu chamo de “síndrome da inovação desconexa”: a crença de que a inovação sai do nada, de algum espasmo de criatividade ocasional. Algum gênio visionário tem uma boa ideia, se apaixona por ela, e pronto, agora é só trabalhar para concretizá-la, que o sucesso está garantido. Mas depois de muito sangue, suor e lágrimas, quando o produto chega ao mercado e o fabricante anuncia na mídia suas maravilhas, os clientes, admirados, se perguntam: “Que linda solução é essa que desenvolveram, mas… para qual problema?”. E o produto não vende. E não vende, simplesmente porque não realiza nada realmente relevante para os clientes. Na verdade, todo produto de sucesso não nasce a partir de uma boa ideia, mas sim a partir da identificação de uma necessidade. Concorda comigo o venerável Steve Jobs, que afirmou: “A inovação verdadeira vem de reconhecer uma necessidade não satisfeita, e encontrar uma maneira criativa de atendê-la.” [2]. O “e” dessa brilhante frase me leva à segunda causa de fracasso na inovação, que é o assunto central dessa série de artigos:

Causa 2: Usar um método errado ou ineficaz para enfrentar os problemas que surgem ao longo do processo de inovação.

Com base em mais de trinta anos de experiência, trabalhando como consultor com equipes de engenheiros em diferentes empresas e em diferentes países, posso afirmar que quase a totalidade dos profissionais técnicos desconhecem o método mais poderoso jamais inventado para multiplicar a criatividade técnica e, pior ainda, por desconhecerem que problemas de natureza distinta requerem métodos igualmente distintos, tentam usar técnicas completamente obsoletas e ineficazes para atacar uma categoria de problema muito específica, que aparece quando nos colocamos na arena da inovação: os problemas inventivos.
Combinadas, essas duas causas podem explicar o alto índice de fracasso em iniciativas de inovação. Mas para compreender bem o que acabo de afirmar, peço sua paciência, para introduzir…

Alguns conceitos fundamentais a esta altura da discussão

Se você é um engenheiro ou gerente responsável pelo desempenho de produtos ou processos industriais, estou seguro de que resolver problemas técnicos consome grande parte da sua rotina de trabalho

Agora, existem problemas de diferentes naturezas. Existem os problemas simples ou triviais, que alguém com um mínimo de experiência é capaz de resolver com o que eu chamo de TIRO, a Técnica Intuitiva para Remover Obstáculos. Existem os problemas de complexidade média, que requerem a aplicação de um método com maior poder de fogo que o TIRO, como por exemplo o MASP (Metodologia de Análise e Solução de Problemas) ou o DMAIC (“Define-Measure-Analyze-Improve-Control”, do Seis Sigma). Porém, Murphy existe e trata de assegurar que no nosso dia-a-dia, especialmente nos momentos mais críticos,  apareçam os problemas  que podemos chamar de cabeludosEsses vêm de duas formas:

Porém, Murphy existe e trata de assegurar que no nosso dia-a-dia, especialmente nos momentos mais críticos,  apareçam os problemas  que podemos chamar de cabeludos!

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Problemas de Otimização de Variáveis

isto é, encontrar a combinação ótima para os milhares de possíveis ajustes ajustes de dezenas de variáveis críticas de um produto ou processo. Bem, para resolver os problemas de otimização existem técnicas estatísticas (das quais, diga-se de passagem, a mais poderosa, no ambiente industrial, é o Método Taguchi de Engenharia Robusta – o que é assunto para outra série de artigos). Mas o que eu quero discutir aqui são o segundo tipo de problema cabeludo que falo ao lado

Problemas Inventivos

requerem o uso da criatividade; aqueles cuja solução exige que pensemos “fora da caixa”, de maneira inovadora, pois para tal tipo de problema não existe uma “solução de prateleira” conhecida, e ainda por cima, todas as soluções tradicionais que propomos, simplesmente fracassam.

Neste e nos artigos que completam a série, vou lhe apresentar um método que é, de longe, o mais eficaz disponível na atualidade, capaz de elevar, de modo assegurado, a criatividade técnica de qualquer profissional a níveis nunca antes imaginados. Trata-se do TRIZ, a Teoria da Resolução de Problemas Inventivos. [3]

Antes, porém, é necessário definir claramente o que é um “problema inventivo”. Porque, como já afirmei anteriormente, se você tentar enfrentar um problema sem nem mesmo saber o que ele é, a coisa já começou muito mal, e você está em tremenda desvantagem, concorda? Ninguém deveria entrar na guerra sem conhecer o seu inimigo, claro. E ninguém deveria enfrentar um tanque de guerra com um estilingue.

Mas, pasmem, é exatamente isso o que quase todos os engenheiros fazem, quando tentam resolver um problema inventivo usando o TIRO, ou o velho brainstorming, ou alguma outra técnica de criatividade baseada na psicologia. Neste e nos artigos que completam a série, vou lhe apresentar um método que é, de longe, o mais eficaz disponível na atualidade, capaz de elevar, de modo assegurado, a criatividade técnica de qualquer profissional a níveis nunca antes imaginados. Trata-se do TRIZ, a Teoria da Resolução de Problemas Inventivos. [3]

Mas antes de mais nada, definamos o que é problema inventivo.

Problema inventivo é aquele que envolve um “dilema” ou “encruzilhada técnica”. E esse dilema por trás dos problemas inventivos podem ser de dois tipos:
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Dilema Tipo 1: “Preciso alterar o Parâmetro A, mas quando faço isso, o Parâmetro B fica prejudicado.”

Por exemplo: “Devo aumentar a produtividade do processo de usinagem, mas quando faço isso, o acabamento superficial fica prejudicado.” Outro exemplo desse tipo: “Preciso diminuir a espessura da parede de uma peça plástica, mas quando faço isso, a resistência mecânica fica prejudicada.” Este primeiro tipo de dilema chama-se Conflito Técnico (CT) pois envolve dois parâmetros técnicos que se contrapõem.
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Dilema Tipo 2: “Para satisfazer o Requisito Técnico 1, o Parâmetro X tem que estar na condição +A, mas para satisfazer o Requisito Técnico 2, o mesmo Parâmetro X tem que estar na condição oposta -A.”

Por exemplo: “Para assegurar boa sustentação do avião, a área da asa tem que ser grande, mas para aumentar a velocidade de voo, a área da asa tem que ser pequena.” Outro exemplo do mesmo gênero: “Para poder dar partida em um carro a álcool em dias muito frios, devemos ter um tanquinho de gasolina no compartimento do motor, mas para reduzir o risco de explosão ou incêndio no caso de um acidente com o carro, não devemos ter um tanquinho de combustível no compartimento do motor.” Este segundo tipo de dilema chama-se Contradição Física (CF) pois impõe condições antagônicas sobre o mesmo elemento ou parâmetro do sistema técnico em questão.

Portanto, problema inventivo é aquele que tem em seu centro pelo menos um CT ou uma CF.

Porque foi importante fazer essa definição?

Por dois motivos:

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Primeiro Motivo

Porque, como dizia Charles Kettering, “um problema bem definido já está 50% resolvido”. E nessa mesma linha, completa Einstein: “Se eu tivesse uma hora para resolver um problema, passaria 55 minutos pensando no problema, e 5 minutos pensando nas soluções.” Nesse sentido, eu poderia afirmar que a principal causa de fracasso em tentativas de inovação é não reconhecer que estamos diante de um problema inventivo, e portando não procuramos identificar claramente o CT ou CF subjacente ao problema.
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Segundo Motivo

Porque um problema inventivo somente admite soluções inovadoras do tipo ganha-ganha, isto é, soluções que eliminam o CT ou CF pela raiz, atendendo completamente ambos os requisitos contraditórios. “Soluções de compromisso”, do tipo perde-perde ou ganha-perde (que são as que normalmente propomos) simplesmente não resolvem os problemas inventivos.
Usando os exemplos que mencionamos no início: especificar uma espessura de parede mais ou menos fina e econômica, e mais ou menos resistente (a falsa solução perde-perde), ou procurar reforçar a estrutura do tanquinho para prevenir ruptura ou vazamento em caso de impacto (a falsa solução ganha-perde) não é o caminho da inovação, pois nesse tipo de propostas existe sempre um requisito (ou os dois) não totalmente satisfeito(s). Em contraste, em tais casos reais, as soluções ganha-ganha geradas aplicando o TRIZ foram:

Usar o princípio inventivo de curvatura (“efeito casca de ovo”) para ter uma parede fina (e econômica) mas ao mesmo tempo muito resistente;

E eliminar completamente o tanquinho e usar uma resistência elétrica ao redor da vela na câmara de combustão, para aquecer a mistura de combustível em dias frios e assim garantir a partida do motor!

Note que, em todas essas soluções inovadoras, o conflito técnico ou a contradição física deixaram de existir, e os dois requisitos contraditórios foram completamente satisfeitos, sem compromisso ou “trade-off” nenhum!

Nos próximos artigos dessa série, e no webinar que estamos divulgando, você terá oportunidade de aprender mais sobre o TRIZ e verá como esse poderoso método pode multiplicar drasticamente a sua criatividade técnica e poder de inovação, de maneira sistemática.

O conflito técnico ou a contradição física deixaram de existir, e os dois requisitos contraditórios foram completamente satisfeitos, sem compromisso ou “trade-off” nenhum!

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Sobre o Autor

Eduardo C. Moura

Eduardo C. Moura

TLSS e DFSS Master Black Belt, Consultor Sênior Em Excelência Empresarial e Fundador do Resolve.Guru e da Qualiplus

Eduardo Moura acredita na importancia do aprendizado e ensinamento contínuo e tem como missão elevar ao nível de exclência todos os profissionais e empresas do Brasil.

Especializações:
ASQ (American Society for Quality) de 1986 a 2004: Certified Quality Engineer, Certified Reliability Engineer, Certified Quality Auditor, Certified Quality Manager. ASI (American Supplier Institute): Certified Taguchi Expert (1999, o primeiro no Brasil). TOCICO (The Theory of Constraints International Certification Organization) Practitioner

Certificações:
Thinking Process, Finance & Measures, Supply Chain Logistics (2010, 2012). DDI (Demand Driven Institute): Certified Demand Driven Planner (2014, o primeiro no Brasil). Strategic planning and business growth, product innovation and development, process and product performance optimization. TOC-Theory of Constraints, Throughput Accounting, Thinking Processes, Strategy & Tactics, Critical Chain, Supply Chain Logistics, Drum-Buffer-Rope . Lean Production, Lean Development, Six Sigma, TRIZ, Taguchi Methods, MTS – Mahalanobis Taguchi System, Robust Engineering.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[1] S. Key, em https://www.allbusiness.com/97-percent-of-all-patents-never-make-any-money-15258080-1.html

[2] Citado em: E. Yayichi (2016), “Design Thinking Methodology Book”.

[3] Existe por aí uma tradução conceitualmente errada de TRIZ, que é “Teoria da Resolução Inventiva de Problemas”. Errada, porque o adjetivo “inventivo” não se refere à solução, mas sim à particular categoria de problemas que o TRIZ se propõe a resolver, a saber, os problemas inventivos. TRIZ não é uma panaceia que promete resolver qualquer tipo de problema, mas o particular tipo de problema que no ttexto do artigo definimos como “problema inventivo”. Por exemplo, o TRIZ não serve para resolver problemas de otimização de variáveis.

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